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Unidos em chapa, Boulos e Marta reúnem força eleitoral em áreas distintas de São Paulo

Juntos em 2024, Marta Suplicy (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) concorreram, nas duas últimas eleições para a Prefeitura de São Paulo, em 2016 e 2020, cada um respectivamente. Entretanto, quando candidatos, os dois tiveram prevalência entre públicos distintos da capital.

Após deixar o PT em 2015, o pleito de oito anos atrás foi o primeiro de Marta fora do partido em que militava desde 1981. No então PMDB — hoje MDB — a ex-prefeita da capital teve votação expressiva nos extremos da cidade que governou entre 2001 e 2004.

Agora, a chapa será encabeçada por Boulos, tendo Marta como vice, após seu retorno ao Partido dos Trabalhadores.

Desempenho de Marta

Em Parelheiros e no Grajaú, distritos localizados no extremo sul, Marta foi a mais votada, com 37,15% e 31,55% dos votos válidos. Ainda conseguiu números expressivos em outros locais:

  • Cidade Tiradentes (extremo leste): 21,17% dos votos válidos
  • Piraporinha (Zona Sul): 20,81% dos votos válidos
  • Guaianases (extremo leste): 19,55% dos votos válidos
  • Capela do Socorro (Zona Sul): 18,25% dos votos válidos
  • Perus (extremo noroeste): 18,11% dos votos válidos

A eleição de 2016 foi vencida em primeiro turno por João Doria, então no PSDB.

Desempenho de Boulos

Boulos, por sua vez, há quatro anos, não conseguiu superar a chapa Bruno Covas (PSDB)/Ricardo Nunes (MDB) — que teve apoio de Marta — em nenhum distrito.

Os melhores desempenhos dele foram conquistados em distritos das zonas Central e Oeste da cidade:

  • Bela Vista: 29,66% dos votos válidos
  • Perdizes: 29,44% dos votos válidos
  • Pinheiros: 31,88% dos votos válidos

Veja a comparação entre a votação de ambos no mapa abaixo: 

Somando para a periferia

Parlamentares do PSOL ouvidos pela CNN dizem que a entrada de Marta na chapa de Boulos agrega votos principalmente na periferia.

O cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Leonardo Paz Neves explica que Boulos e Marta possuem perfis diferentes. Por estar dentro do PSOL em São Paulo, o deputado federal consegue “um pouco mais de relevância e espaço nas preferências, especialmente entre uma classe média, uma classe média intelectual”.

Um caso parecido citado pelo pesquisador é o de Marcelo Freixo (PT), que concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012 e 2016 pelo PSOL, e teve melhor desempenho em bairros mais abastados da cidade.

Entretanto, Boulos por ser um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), também consegue “algum tipo de aderência também nas classes baixas”. Isso pode ser visto pela boa votação em algumas áreas fora do centro, como Rio Pequeno (23,81%), Valo Velho (22,93%), Campo Limpo (22,84%) e Capão Redondo (22,05%).

Já Marta, na visão do professor, quando esteve à frente da prefeitura, se engajou em um conjunto de políticas redistributivas. “Até hoje, ela colhe dividendos eleitorais disso, com uma política que se preocupa com as pessoas da periferia”.

Então, isso ajuda a explicar um pouco do porquê o Boulos se destaca nas zonas mais abastadas enquanto a Marta consegue penetrar ainda muito bem dentro de zonas periféricas.

Leonardo Paz Neves

Cenários diferentes

Para Marco Teixeira, professor do Departamento de Gestão Pública da FGV, é importante lembrar que as eleições de 2016 e 2020 aconteceram com contextos completamente diferentes.

O eleitorado da periferia acabou se dividindo entre Marta e o então prefeito Fernando Haddad (PT), que buscava a reeleição, mas foi derrotado por Doria.

Mas a Marta, obviamente, teve mais êxito. Tanto que ela foi a única que ganhou do João Doria em algumas regiões da cidade, notadamente essa região do extremo sul.

Marco Teixeira

“Em 2016, é um contexto em que o PT vinha de desgaste muito grande. O Fernando Haddad, apesar de ter sido candidato à reeleição, sequer foi para o segundo turno e ainda havia uma memória muito grande da gestão Marta Suplicy, sobretudo no que se refere a Bilhete Único”, complementa o professor.

Cenário de polarização

Já em 2020, acontece uma eleição “extremamente polarizada” entre o petismo e o bolsonarismo, na opinião de Teixeira. Entretanto, o candidato do PT, Jilmar Tatto, não conseguiu um bom desempenho e, “nesse momento, o Guilherme Boulos herda, esse voto petista”.

Aliás, para grande população, o Guilherme Boulos não é do PSOL, é o candidato do Lula, sobretudo. E a Marta Suplicy vai apoiar Ricardo Nunes e Bruno Covas. Não se sabe tá se esses votos que o Bruno Covas teve na periferia, se ele é produto do esforço da Marta Suplicy, pode ser que sim, pode ser que não.

Marco Teixeira


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