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Quem são os membros da equipe econômica de Javier Milei na Argentina

Presidente eleito da Argentina, Javier Milei já confirmou 18 nomes que irão integrar seu governo, sendo que três fazem parte da equipe econômica. A nova gestão assume a máquina pública neste domingo (10), dia da posse.

O primeiro anúncio ocorreu no final de novembro, com a nomeação de Luis Caputo para assumir o Ministério da Economia.

Já a pasta de Infraestrutura, que substituirá o atual Ministério de Obras Públicas, ficará a cargo de Guillermo Ferraro. Na presidência do Banco Central da República Argentina (BCRA), o economista Santiago Bausili.

O plano de Milei é enxugar o número de ministérios de 18 para oito mediante a extinção de diversas pastas.

Veja abaixo quem serão os integrantes da equipe econômica do atual governo argentino.

Ministério da Economia — Luis Caputo

Luis Caputo ficou conhecido entre os argentinos como “o Messi das finanças” quando integrou o governo do ex-presidente Mauricio Macri (2015 – 2019).

Primeiro, foi secretário de Finanças, chegando ao posto de ministro da pasta em 2017. No ano seguinte, foi realocado para a presidência do BCRA, cargo que ocupou por pouco mais de três meses.

Sua gestão nas Finanças foi responsável pela negociação dos chamados “fundos abutres”, em que a Argentina concordou em pagar US$ 9,3 bilhões aos principais credores.

Ainda como ministro, conhecido também como “Toto”, emitiu um título de 100 anos no valor de US$ 2,7 bilhões com juros de 7,12% e rendimento de 7,9%, medida celebrada pelo governo macrista e criticada pelo kirchnerismo.

Caputo é um homem do círculo íntimo de Macri desde a juventude, quando estudaram juntos no Colegio Cardenal Newman, escola católica e de elite.

Economista, fez sua graduação pela Universidade de Buenos Aires, com experiência no setor financeiro privado como chefe de Mercados Emergentes na J.P. Morgan e presidente da Deutsche Bank na Argentina.

Como presidente do BCAR, o governo Macri decidiu que a Argentina, 12 anos após ter liquidado sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), voltasse a se endividar com o órgão internacional com o maior empréstimo contingente da história do FMI: US$ 45 bilhões — crédito com o qual o país lida atualmente.

Esse acordo rendeu diversas denúncias judiciais contra Macri e funcionário do seu governo, inclusive Caputo, alegando “fraude por administração não confiável, agravada por ser cometida em dano da administração pública e desvio de fundos públicos”.

Macri, Caputo e outros da equipe econômica sempre negaram as acusações e até o momento não foram citados pela Justiça.

Outras polêmicas também envolvem o nome do recém nomeado ministro da Economia da Argentina. Em 2017 foi citado como um dos acionistas de empresas offshores em uma investigação jornalística dos chamados Paradise Papers.

Caputo negou a propriedade das ações e, por motivos que não quis informar, disse que apenas estava envolvido como assessor, administrador, fiduciário e/ou gestor, mas que desde a sua entrada na função pública, em 2015, deixou de prestar serviços profissionais a essas empresas.

Em reunião com Javier Milei e executivos de bancos locais e internacionais para apresentar os planos econômicos, o novo ministro afirmou que “nossa abordagem é um choque fiscal e monetário desde o primeiro dia”, inclinando-se para um caminho mais ortodoxo.

Ministério da Infraestrutura — Guillermo Ferraro

Guillermo Ferraro, nomeado ministro da Infraestrutura, possui licenciatura em Administração de Empresas pela Universidade de Buenos Aires, doutorado em Ciências Econômicas e pós-graduação em Engenharia de Sistemas.

Tem experiência como contador, com mais de 40 anos no setor público e privado. Foi diretor de Infraestrutura e Governança na multinacional KPMG Argentina, entre 2010 e abril de 2023.

Sua atuação foi de liderança na avaliação de projetos como o Túnel Ferroviário Aconcágua, a Central Hidroelétrica de Chihuido, o porto de cargas de Ushuaia e os modelos de Participação Público Privada para os corredores rodoviários, segundo seu perfil no LinkedIn.

Ferraro formou parte da equipe Libertad Avanza, que levou Milei à vitória nas urnas, e não será a primeira vez que trabalharão juntos.

Em entrevista ao La Nación, o economista contou que coincidiu com o atual presidente no projeto do Corredor Bioceânico Aconcágua, iniciativa privada binacional na qual liderava a equipe de assessores para a Entidade Binacional Argentina-Chile. O objetivo do projeto era unir os oceanos Atlântico e Pacífico por via de um corredor ferroviário de alta tecnologia.

O projeto também o levou a trabalhar com Nicolás Posse, confirmado chefe de gabinete.

Foi funcionário do Ministério da Indústria durante o governo de Eduardo Duhalde, entre 2002 e 2003, além de diretor do Banco de Entre Ríos, entre 2003 e 2005, e do Banco Bisel, entre 2003 e 2007.

Em 1988 e 1991, foi subsecretário de Informação e Telecomunicações da província de Buenos Aires, conforme a agência estatal Télam.

À frente da Infraestrutura, a aposta de Ferraro é reduzir a participação do Estado na economia do país e abrir mais espaço ao setor privado, seguindo a linha de privatização de Milei e seu plano de corte significativo de gastos públicos.

O Ministério da Infraestrutura será composto por cinco áreas principais: transportes, obras públicas, energia, mineração e comunicações, e substituirá o atual Ministério das Obras Públicas.

Banco Central — Santiago Bausili

Santiago Bausali será o novo presidente do Banco Central da República Argentina no início da gestão de Milei, depois de diversas alegações sobre o economista e consultor financeiro Emilio Ocampo ocupar esse cargo.

Bausali, que já foi subsecretário da Fazenda, se desenvolveu como secretário da Fazenda na gestão de Caputo no Ministério de Finanças com Mauricio Macri, e agora será novamente seu braço-direito.

Ingressou no Colegio Cardenal Newman, como Caputo e Macri, e possui licenciatura em Economia pela Universidade de San Andrés.

Trabalhou na iniciativa privada como diretor do Deutsche Bank, em Buenos Aires e Nova York, e foi vice-presidente do J.P. Morgan.

Fundou junto do seu amigo “Toto” a consultoria Anker Latinoamérica, a qual acabou de fechar devido às incorporações de seus membros ao futuro time no governo federal.

Seu nome está envolvido em acusações, revogadas pela segunda vez pela Câmara Federal de Buenos Aires nesta terça-feira (5), no caso de investigação de supostas irregularidades na eleição dos bancos através dos quais foi realizada a colocação de dívida pública em 2016 e 2017.

Veja também: Entenda quais são os desafios para a economia argentina

*Sob supervisão de Gabriel Bosa


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